Mãe é o exemplo claro de que amor é cego - o filho é bonito, sempre o mais bonito.
Mãe é a última a desistir e a primeira a confiar.
Mãe também exagera - se não atendeu o telefone é porque foi preso ou sofreu acidente.
Mãe quase nunca erra em seus conselhos - testificam por mim os vários dias que tomei chuva porque não dei ouvidos.
Mãe não muda a percepção - mesmo com seus trinta e tantos, ainda é o filhinho.
Mãe tem percepção mágica - ela sempre sabia quando eu tinha derrubado coisas na cozinha, mesmo quando eu limpava tão direitinho.
Mãe tem percepção mágica (2) - tentar esconder alguma coisa é inútil (como sair escondido com os amigos).
Mãe dá bronca, pega no pé, dá uns cascudos e põe de castigo. Mas ainda dá risada quando a gente faz palhaçada.
Mãe sabe muito bem quando o choro é sincero. Ou se é apenas pra fugir da bronca (o que geralmente rendia mais algumas palmadas).
Mãe sacrifica, abre mão da vida e dos sonhos para que o filho possa viver e sonhar.
Mãe diz que filho é um presente de Deus, mas presente mesmo é o amor da mãe, que é o que mais se aproxima do amor de Deus.
Mãe tem seus momentos neuróticos, seus momentos difíceis e seus momentos de tristeza, mas não renega a responsabilidade que assumiu.
Mãe faz de tudo, mas sempre acha que ainda tem que fazer mais.
A minha conclusão é que faltam palavras para expressar o que 'mãe' realmente significa.
A minha convicção é que a minha dívida não poderá nunca ser quitada, mas isso não vai me impedir de tentar.
O meu agradecimento é por ser tudo isso e me ensinar a ser mais do que sou.
O meu presente é a promessa de fazer tudo para ser um filho que valha a pena.
E, claro, isso também vale para as avós que, por definição, são (mãe)².
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domingo, 9 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Linhas indeléveis, Compreensão cristalina
Dentre as diversas características da nossa sociedade, pode-se destacar o fato de que a cada dia os limites estão sendo superados, destruídos, desrespeitados ou ignorados. Enquanto em alguns aspectos esta tendência se mostra positiva, como no caso da ciência, tecnologia e relações internacionais, nos que se referem ao relacionamento humano e valores sociais, a inexistência (ou ineficiência) dos limites se mostra em grande maioria das vezes como nociva.
Os traços limítrofes não são responsáveis apenas por limitar as ações das pessoas, mas servem também como guia para que as atitudes e comportamentos sejam devidamente designados e compreendidos. O que ocorre é que com eliminação ou aversão aos limites, ocorre uma inversão e, consequentemente, uma perversão de valores. As atitudes são interpretadas de modo equivocado - a tolerância e o respeito são estampados nos estandartes dos auto-intitulados liberais, mas as suas ações estampam uma incapacidade de ser coerente com os valores apregoados, além de se colocarem na posição de eternas vítimas.
Não estou aqui para defender uma estrutura social arcaica (ou antiga), nem mesmo para falar do sentimento derrotista decorrente da falta de perspectiva dessa sociedade. Até porque, em termos gerais, as sociedades são as mesmas desde sempre, os valores podem parecer diferenciados, mas proporcionalmente, tudo é o mesmo. (Assunto para um próximo texto, talvez.) O meu (presente) manifesto é em prol do verdadeiro respeito e, acima de tudo, da compreensão. Acredito que para tal, algumas linhas devem ser traçadas e respeitadas.
Das diversas confusões existentes, destaquei duas que tem se mostrado mais frequentemente na (minha) atual conjuntura: Naturalidade e Indiferença; Aceitação e Conformismo. Deixo claro de antemão que há espaço para cada uma das quatro posturas expostas abaixo, mas que assim como não devem ser confundidas, devem ser aplicadas em momento oportuno para tal.
Naturalidade x Indiferença
Encarar algo sem estardalhaço ou se deparar com problemas sem que haja reações exageradas. A reação inicial tanto para a naturalidade como para a indiferença são bem parecidas. O que difere as duas é a origem desta reação inicial e as atitudes subsequentes. Enquanto a naturalidade é originada na maturidade atingida pela vivência ou compreensão de um assunto, a indiferença é originada na falta de comprometimento e na perspectiva egoísta da pessoa.
Mesmo com a motivação aparentemente negativa, não estou dizendo que a indiferença não deve existir, aliás, muito pelo contrário. Há diversas situações em que devemos mesmo não nos comprometer e/ou agir de modo egoísta. O que estou tentando dizer é que as duas posturas não devem ser confundidas.
Sobre a atitude subsequente, enquanto a indiferença acaba por se direcionar ao escárnio ou críticas excessivas, a naturalidade tende a reagir de modo centrado e visando atingir um cenário melhor, mesmo que a reação seja não fazer nada. Naturalidade é a versão adulta e engajada da indiferença, mas nem sempre é a melhor postura ou a mais correta. Neste dilema, tudo acaba sendo ad hoc. Cada curva do labirinto da caminhada pode exigir uma mudança - mas a ressalva, mesmo que não escrita em pedra, é que o age com naturalidade, sabe agir com indiferença. Já o indiferente age com indiferença até com a naturalidade.
Aceitação x Conformismo
O último 'estágio da morte', segundo Elisabeth Kubler-Ross é a Aceitação. Por geralmente estar associado ao fim ou conclusão, geralmente este termo é compreendido também como conformismo. A falta de comprometimento das pessoas, decorrente também dos valores sociais se fiarem em uma base primordialmente egoísta, é um dos principais motivos para que haja essa confusão.
Reconhecer as suas reais condições e fazer o que esta ao alcance não é conformismo, é aceitação. Tem uma frase da Madre Teresa que retrata bem isso: "Se você não consegue alimentar 100 pessoas, alimente apenas uma." Conformismo seria entender que não se pode alimentar 100 pessoas e resolver não fazer nada. O mesmo acontece com as pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Conformismo seria se isolar do mundo e, por causa da incapacidade de fazer algumas coisas, se ver como alguém "pior" que os outros. Aceitação é reconhecer que a deficiência existe, mas entender que a vida prossegue e vivê-la normalmente, mesmo que com algumas adaptações,
Aceitar é a versão positiva e correta do conformismo. São atitudes parecidas mas com motivações antagônicas e, como dito anteriormente, há espaço para ambas posturas. A ressalva é que caso haja conformismo, que seja temporário. Já a aceitação, deve ser uma atitude perene.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Small talk, hopeless believer and silent soul
This dialogue was running for so long that time already had lost its meaning, the never ending flow of counter arguments were no longer defying my capacity of understanding my own reality. However, somewhere beneath all that rhetorical pomp and glare, I realized that we were finally getting to the finalement this time around.
"
Then she said that as long as I don't give up on myself, hope is a simple detail. She just forgot to mention that the devil is in the detail.
Better is to give in to hopelessness, if that means to be free indeed. Smart devil, they say - abiding with the latter resource to undermine whatever chances of a comeback. Poor devil, I say - not able to realize that even when the hope withers away, faith still kicks in. Just reminded me that the one who is known as 'father of faith' was also the one known for 'hopelessly believing".
So I answered that hope is basically the result of our choices. Choosing truth over illusion, belief over disregard.
And also said that my living grasp would never again be entangled among the frivolity, pragmatic thinking and, on top of that, the entrustment to a sense of fake comfort behind a desk, a label or a tag.
Our fight should never be to defend hope, and more importantly, should never stop if (or when) hope abandons us to apparent nothingness. Because that's the exact point in which we are truly fighting, based on reality. It all comes down to faith.
Faith over hope, faith over sight. Faith over doubt.
"
Along with my muted (and concluded) protest, my soul finally agreed with me (or was I that agreed with her?) and went silent.
And there was peace again, peace I haven't seen or heard of in a long time.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Dígitos e Foco, Tiger Woods e Timing
Trata-se de um assunto recorrente. Com o empilhar dos anos e das escolhas feitas, somos destituídos da variedade de opções. Normalmente, me contento em apenas ter a memória. Mas em alguns dias, sinto saudades, até um pouco de falta, de quando os telefones tinham sete dígitos, os CEPs tinham cinco e minha idade tinha apenas um. Mas o intuito desse texto não é entrar em uma viagem nostálgica ou afogar-me no saudosismo de um tempo passado. Perder-se, mesmo que em palavras ou lembranças, é o bastante para se tirar o foco - e isto é algo que eu não posso me dar ao luxo de fazer.
Em um dos meus últimos textos, eu escrevi um pouco sobre essência. Consideremos que essência é aquilo que somos, independente do que nos cerca. O que quero tentar dizer é que há alguns costumes ou atitudes que temos que são reflexos de quem somos e não apenas a reação em relação a algo apresentado. E sobre essas reações, até que ponto ela realmente reflete o que somos e não apenas tudo aquilo que foi agregado pela sociedade e pela criação? Não acredito ser possível separar essência pessoal de valores adquiridos - as mudanças de atitudes ou valores só ocorrem quando no decorrer da vida, o indivíduo se depara com alguma coisa que se identifique diretamente com a essência, sobrepujando os valores impostos. Mas acho que essa discussão também não é o foco principal desse texto.
Por diversas ocasiões, temos que agir em nossas vidas com base na tentativa e erro. Considerando que podemos nos deparar com situações em que o caminho/procedimento certo não está claro, (praticamente todas as situações depois dos 18 anos) há a necessidade de eliminarmos as alternativas antes de escolhermos o rumo. Há momentos em que esse processo demora e todas as incertezas devem ser desfeitas para assinalar a alternativa correta. Em outras, a escolha certa é a primeira - como quando pegamos aquele molho de chave imenso e acertamos a chave correta de primeira. Improvável, mas possível. Traçando uma breve analogia (pra variar), vamos comparar esse processo de atingir objetivos com 3 esportes: golfe, bocha e basquete.
No basquete, para se chegar ao objetivo (cesta), há apenas um modo - o arremesso. E o arremesso não tem pontos intermediários - é da mão do atleta para a cesta. Algumas das nossas tentativas de sucesso devem ser assim, sem obstáculos, dependendo apenas de você. Este é o cenário mais fácil (e mais raro) - apesar de todo o ambiente e dificuldade, quem determina o sucesso é simplesmtente o esforço próprio.
No caso da bocha, o objetivo se fragmenta em fazer a sua estratégia (defesa) e atacar o seu oponente. Todos os arremessos são importantes - um arremesso errado pode comprometer toda a partida, impedindo que o objetivo seja alcançado. Em alguns casos, o jogador pode estar ganhando e acabar perdendo no último arremesso por um erro de planejamento. Este é o cenário mais comum no dia a dia - em tudo nos deparamos com competição, seja pra conseguir destaque no emprego ou para ganhar a atenção da garota nova. Não basta saber da sua capacidade, há a necessidade de saber lidar com a situação que se desenvolve e também ser capaz de defender as suas jogadas.
No golfe, o objetivo é algo distante e difícil. Para atingí-lo, em quase sempre há a necessidade de múltiplas tacadas - sendo que o sucesso final depende dos avanços iniciais, mesmo quando o objetivo ainda não está no campo de visão. Em alguns casos, a primeira tacada não vai nem na direção do buraco, mas é assim que deve ser para que o objetivo seja alcançado com sucesso. Como nesse texto, que nos dois primeiros parágrafos (tacadas), eu apenas me aproximei do cerne - para enfim, vendo a conclusão (buraco), eu desse a tacada final. Apesar de as primeiras tacadas não estarem no rumo certo, elas são essenciais para o preparo da conclusão. Nosso passado (primeiro parágrafo), nossa essência e o que encontramos no caminho (segundo parágrafo) são os elementos essenciais para se aprender a jogar direito. O menino de 10 anos que quer ser médico, precisa completar o ensino fundamental e ensino médio. Precisa também de um curso de idioma. Prestar vestibular, entrar na faculdade, se formar, fazer residência... enfim. Este é o cenário mais pessoal - todos temos objetivos (não tão) distantes que exigem pequenos avanços e mudanças de curso até chegarmos lá.
Nos três cenários, há uma questão importantíssima - o timing. É essencial saber a hora certa de se mover, de falar e de se posicionar. Mas que fique claro: Há uma grande diferença entre 'não fazer nada' e 'esperar'.
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
Relevar o mistério
Só nos decepcionamos com alguém, quando não o conhecemos de fato.
Acredito que não haja surpresas em um relacionamento verdadeiro - seja amizade, amoroso ou profissional. Quando se há a expressão verdadeira sobre a perspectiva sobre os assuntos compartilhados, não há o desconforto do inesperado. Antes que as pedras comecem a voar, apenas para esclarecer, não ter surpresas não quer dizer que a pessoa não possa fazer algo supreendente. Dar um presente, fazer uma visita, preparar uma festa, fazer uma ligação no meio do dia, mandar telemensagem, contratar mariachis nus para cantar no dia do aniversário no ambiente de trabalho, aparecer em um trio elétrico e cantar músicas do Wando. Estas são todas ações que causam surpresa no momento, mas, mesmo trazendo alegria ou profundo constrangimento, em nenhum momento esse tipo de ação traz uma confusão (ou a sensação "que diabos?!") Falta de surpresa de modo algum significa falta de emoção.
O que quero dizer é que as atitudes e as reações da pessoa com a qual nos relacionamos não nos surpreendem pois simplesmente a conhecemos. Ou seja, se há supresa, não conhecemos. E se não conhecemos, não há relacionamento.
Há aqueles que defendem o mistério, dizendo que nele reside o algo "a mais" na relação. Acredito não haver maior contradição do que esta. A relação justamente existe por haver confiança e intimidade - para isso, há a necessidade da ausência de incógnitas. Quero me cercar de pessoas com quem posso contar sempre - não de pessoas que sempre terão um mistério a ser desvendado. Já se passou o tempo de ter paciência de ficar resolvendo charadas ou participando de joguinhos - a adolescência e o baile de máscaras já acabaram. Claro que as pessoas possuem características que, dependendo da relação existente, nunca são evidenciadas. Não se sabe como o chefe se relaciona com um amigo ou alguém da família (saber no sentido de possuir tal característica no seu relacionamento). Ou também como um amigo se relaciona com a família ou com a namorada. Mas dentro da relação e nas características compartilhadas, deve-se haver uma constância - mesmo que a constância seja saber que a pessoa é volúvel.
Nos últimos tempos, andei lendo e ouvindo algumas coisas que me surpreenderam, de certo modo - não pelo conteúdo das palavras, mas pela motivação por trás delas. Talvez a decepção decorrente disso tudo não seja com outrem, mas sim comigo por tentar defender (mentir?) pra mim mesmo, a existência (ou consistência) de algo que realmente não existe tal qual idealizado. Claro que há também as nossas próprias motivações - difícil admitir pra si mesmo que se conserva recipientes vazios nas estantes, enquanto se acredita no valor dos conteúdos e não dos rótulos.
Revisando, então, a frase inicial: Só nos decepcionamos com alguém, porque nos decepcionamos conosco primeiro.
Enquanto boa parte das pessoas gostam de revelar o mistério, eu prefiro a opção disléxica e sou adepto do relevar o mistério. Cultivando os relacionamento e todas as peculiaridades da contraparte (mesmo aquelas com as quais discordo ou não diretamente admiro), sem surpresas. Mas sempre com intensidade, valor, com vida, cor e riso.
Acredito que não haja surpresas em um relacionamento verdadeiro - seja amizade, amoroso ou profissional. Quando se há a expressão verdadeira sobre a perspectiva sobre os assuntos compartilhados, não há o desconforto do inesperado. Antes que as pedras comecem a voar, apenas para esclarecer, não ter surpresas não quer dizer que a pessoa não possa fazer algo supreendente. Dar um presente, fazer uma visita, preparar uma festa, fazer uma ligação no meio do dia, mandar telemensagem, contratar mariachis nus para cantar no dia do aniversário no ambiente de trabalho, aparecer em um trio elétrico e cantar músicas do Wando. Estas são todas ações que causam surpresa no momento, mas, mesmo trazendo alegria ou profundo constrangimento, em nenhum momento esse tipo de ação traz uma confusão (ou a sensação "que diabos?!") Falta de surpresa de modo algum significa falta de emoção.
O que quero dizer é que as atitudes e as reações da pessoa com a qual nos relacionamos não nos surpreendem pois simplesmente a conhecemos. Ou seja, se há supresa, não conhecemos. E se não conhecemos, não há relacionamento.
Há aqueles que defendem o mistério, dizendo que nele reside o algo "a mais" na relação. Acredito não haver maior contradição do que esta. A relação justamente existe por haver confiança e intimidade - para isso, há a necessidade da ausência de incógnitas. Quero me cercar de pessoas com quem posso contar sempre - não de pessoas que sempre terão um mistério a ser desvendado. Já se passou o tempo de ter paciência de ficar resolvendo charadas ou participando de joguinhos - a adolescência e o baile de máscaras já acabaram. Claro que as pessoas possuem características que, dependendo da relação existente, nunca são evidenciadas. Não se sabe como o chefe se relaciona com um amigo ou alguém da família (saber no sentido de possuir tal característica no seu relacionamento). Ou também como um amigo se relaciona com a família ou com a namorada. Mas dentro da relação e nas características compartilhadas, deve-se haver uma constância - mesmo que a constância seja saber que a pessoa é volúvel.
Nos últimos tempos, andei lendo e ouvindo algumas coisas que me surpreenderam, de certo modo - não pelo conteúdo das palavras, mas pela motivação por trás delas. Talvez a decepção decorrente disso tudo não seja com outrem, mas sim comigo por tentar defender (mentir?) pra mim mesmo, a existência (ou consistência) de algo que realmente não existe tal qual idealizado. Claro que há também as nossas próprias motivações - difícil admitir pra si mesmo que se conserva recipientes vazios nas estantes, enquanto se acredita no valor dos conteúdos e não dos rótulos.
Revisando, então, a frase inicial: Só nos decepcionamos com alguém, porque nos decepcionamos conosco primeiro.
Enquanto boa parte das pessoas gostam de revelar o mistério, eu prefiro a opção disléxica e sou adepto do relevar o mistério. Cultivando os relacionamento e todas as peculiaridades da contraparte (mesmo aquelas com as quais discordo ou não diretamente admiro), sem surpresas. Mas sempre com intensidade, valor, com vida, cor e riso.
quarta-feira, 31 de março de 2010
O outro eu, Auto-valia e Perseverança
Falar de amizade é sempre complicado, afinal, amizade é uma daquelas coisas que (se) permeia (em) tudo na vida. Independente de quanto se tente, qualquer texto sempre vai ficar aquém do que realmente significa. Admito que sou um fã irremediável (ou talvez um viciado inveterado) da solidão e, por ter passado por uma experiência longe de agradável da última vez que escrevi sobre este tópico, normalmente eu evito escrever nessa direção. Entretando, considerando a atual conjuntura dos fatos e a corrente tendência de retomar certas vertentes do passado, cá estou eu abordando a tal da amizade.
(Fato não (diretamente) relacionado: Se durante a sua vida, já deu tempo de algumas coisas aparecerem, ficarem velhas, sumirem, voltarem e se tornarem vintage, quer dizer que você já não é mais tão jovem assim...)
Formei o título do texto com três termos que, ao meu ver, formam a base da amizade. Obviamente que há uma série de outros fatores que provavelmente compõe essa base, mas a minha busca por essência me impele a afunilar meu escopo ao escrever e tentar, mais uma vez, agrupar o máximo do que quero dizer em algumas (não tão) poucas palavras. Palavras estas que retrataram uma mistura um tanto quanto homogênea entre a razão e a emoção - mesmo tentando decantar, essa mistura não se desfaz tão simplesmente.
1) O Outro Eu
A definição de amigo por si só já é o bastante para ocupar alguns textos. Procurando algumas definições simples, encontrei a de Ralph Waldo Emerson: "O amigo é a esperança do coração". A minha definição é, apesar de estar completamente ligada à definição do Sr. Emerson, algo mais elementar – Amigo é o outro eu.
Diz o velho ditado que “diga com quem tu andas que direi quem tu és”. Eu prefiro a definição de Eurípedes : “Todo homem é o reflexo da companhia que costuma manter.” Ao meu ver, amigo é aquela pessoa em que conseguimos achar parte de nós mesmos.
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2) Auto-valia
A amizade só se torna firme quando há a identificação do valor próprio. Caso não haja um mínimo de auto apreciação, dificilmente haverá amizade. Não estou falando de amor próprio – de repente, apenas admirar algum traço ou característica. Isso basta para que haja espaço de criação do elo.
Não devemos, todavia, confundir auto-valia com auto-promoção. Acredito que todos conhecemos algumas pessoas que se valem do fato de terem muitos amigos. Cito Stendhal: “Quanto mais uma pessoa agrada a todos, menos ela agrada profundamente.” Em suma, aquele que tenta agradar muitos, acaba conseguindo muitos colegas e nenhum amigo. Amizade demanda tempo e esforço, mas tentarei falar um pouco sobre isso no próximo tópico.
Antes disso, há uma outra questão importante a ser destacada sobre a amizade. A auto-valia também está ligada ao fato de admitir as qualidades superiores da outra pessoa em alguns aspectos. Veja bem, nenhuma pessoa vai ser a melhor em todas as facetas – provavelmente, isso levaria a uma arrogância exacerbada e consequentemente à impossibilidade de relacionamento. Pessoas chatas tem amigos, pessoas que se julgam melhores em tudo, ficam sozinhas. Como disse Frank Tyger, “engula o seu orgulho de vez em quando, não engorda.”
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3) Perseverança
Além de identificar uma parte sua na outra pessoa e aprender a importância do valor próprio, a amizade dificilmente se consolidará sem a perseverance. Samuel Goldwyn, um grande produtor de filmes e co-fundador da Paramount Pictures, disse uma vez: “Dê-me uns dois anos que eu faço de qualquer atriz um sucesso da noite pro dia.” Com a amizade funciona do mesmo modo – ninguém fica amigo da noite pro dia, mesmo que às vezes parece desse modo.
É necessário ter diligência e empenho em cultivar a amizade. Isso significa tentar manter contato quando o amigo some, mandar e–mails ou telefonar com uma frequência maior do que a que se faz atualmente, compartilhar interesses, esforçar-se para marcar mais encontros, abrir mão de noites de sono, se for necessário, para que se possa passar mais tempo com os amigos.
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Se a pessoa não faz parte da sua vida, logo ela deixará de fazer parte de você. Se não há na outra pessoa o “outro eu”, em breve se perde a percepção de valor e o ímpeto da perseverança. Tudo está ligado, o efeito domino funciona em qualquer direção. Entretanto, o oposto também é válido – quanto mais se esforça, mais se encontra a si mesmo do outro lado, mais se dá valor e mais se esforça. Chega ao ponto de que o dia não parece completo se não há algum tipo de notícia ou contato.
Há dois versículos da Bíblia em que há menção sobre amizade que quero destacar. O primeiro diz que deve se cultivar o amigo pois na necessidade nasce o irmão. Tem uma música do Danger Mouse & Sparklehouse que tem uma frase que diz: “Eu acordei e o meu ontem se foi.” Acho que a presença do amigo tem esse efeito – mesmo que o dia tenha sido ruim, a presença ou o contato faz com que “o ontem se vá”. O outro versículo diz que “há amigo que é mais chegado que um irmão”. Há também o ditado popular que diz que “os amigos são a família que escolhemos.”
O intuito principal desse texto é de expressar a importância da amizade e a importância que ela tem para o autor. Nas vacas gordas, muitos amigos. Nas vacas magras, poucos irmãos. Grato por saber que algumas coisas na vida não perdem o sentido.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Essência e Espelho, Real e Percebido
No último texto, foi discutido um pouco sobre os conceitos que validam a percepção de valor que o mundo (ou a sociedade) tem sobre cada pessoa ou, numa definição mais ampla, o valor percebido de cada função. Apesar de buscar a compreensão desses conceitos e a tentativa de adaptação para subsistir sob tal domínio, não há como deixar de lado o fato preponderante nesse debate - o fato de que esses conceitos tornam doente a vivência social e aos poucos minam a capacidade de destacar a identidade única que cada pessoa tem e o real valor que isso tem, não apenas para o mundo, mas em uma escala mais elementar, para si mesmo.
Quando escrevo, tento sempre fugir da tônica pessoal, procurando mostrar a perspectiva de um observador. Medida adotada para evitar poluir a mensagem a ser passada ou impedir uma maior identificação do leitor com o texto. Mas, para não me perder na densidade das palavras que se mescla com a minha incapacidade de melhor expressar a mensagem quero passar, usarei uma espécie de relato pessoal entrelaçados com máximas de conhecimento comum. Creio que deste modo eu consiga atingir meu objetivo, apesar das dúvidas em relação a integridade do cumprimento da missão.
A discussão sobre o valor percebido pelo mundo/sociedade me trouxe à minha atual condição que, de alguma forma, é também a condição de alguns dos meus amigos. E a questão com a qual me deparei é: Até que ponto a nossa percepção de nós mesmos é ferida quando não nos encaixamos nos valores impostos na esfera maior? Em outras palavras, até que ponto nosso valor real é diminuído quando nosso valor percebido é reduzido? E foi essa questão que me levou a uma tentativa de análise por outro prisma, com o enfoque naquilo que se perde, ou se esconde, em cada pessoa antes que sejam ditas as palavras e executadas as atividades a cada um atribuídas.
Para todos os efeitos, eu era um cara valorizado na perspectiva da esfera maior. Formado e pós-graduado, trabalhando e ganhando um bom salário, carro na garagem. Enfim, desfrutava das supostas regalias que o status aparente me trazia. Até o meio do ano passado, quando decidi pedir demissão. O motivo era que eu não me sentia realizado no emprego e que isso estava transbordando para outras áreas da vida, como se isso não fosse óbvio. Passado o período de euforia após a decisão "tresloucada", a angústia começou a bater. Não porque a situação começou a complicar - o planejamento foi bem cuidadoso para o tiro não sair pela culatra. A angústia originou-se do fato de que pedir demissão não aplacou o mal que me acometia. Em suma, eu acabei agindo sobre um efeito e não sobre a causa. Além disso, a percepção do mundo mudou muito a meu respeito - deixando de ser exemplo para virar estatística. E isso me fez ficar chateado algumas vezes ou até envergonhado. Senti que havia sido abalado, temi ter tomado a decisão errada e, depois de tantas negativas dos processos que me engajei, comecei a questionar a minha capacidade e o meu valor.
Resolvi então pisar no freio e aproveitar o tempo livre para buscar o que eu gostava a meu respeito e que havia perdido nos últimos anos. Retomei alguns hobbies, a minha fé, alguns amigos e, principalmente, alguns hábitos. Percebi que o que foi retomado não se tratavam de caprichos juvenis que foram abandonados pela "maturidade dos anos", mas sim partes elementares que me compõe como ser. O que me fazia mal na minha vida não era o emprego ou o receio de ter tomado as decisões erradas - era o fato de que eu estava abrindo mão do que eu era na verdade para me apoiar e abraçar o que eu representava na esfera maior. Causa identificada e o alívio proveniente disso não é algo temporário como a morfina. Alívio de cura. O que estava sendo asfixiado alguns chamam de criança interior, eu prefiro chamar de essência.
Veja bem, não quero aqui fazer apologia a qualquer corrente de pensamento que diz que o trabalho não deveria existir, que o importante é ser feliz mesmo que se afogando em dívidas ou nada de pensamento age-of-aquarius-new-age-hippie-ish. Reitero o que foi escrito no texto anterior, temos que aprender a viver na sociedade como ela se apresenta se há o desejo de mudá-la ou melhorá-la. Percebi que o problema reside justamente quando a essência acaba tendo que se tornar a tal da "criança interior". A nossa essência é algo que é bem latente quando somos mais novos - sempre idealizando, viajando, sonhando. Na cabeça dos pequenos, não há limites, todos podem ser astronautas, jogadores de futebol, médicos, mágicos e até super-heróis. Mas aí chega a idade adulta e preferimos abrir mão dessa essência para abraçar o prático. E isso não tem nada a ver com escolha de carreira profissional - mesmo perseguindo os sonhos, uma hora nos deparamos com a necessidade de mudar as prioridades. Forma-se uma camada doente, pessoas inócuas que não respondem mais ao que realmente são, mas apenas à esfera maior.
Numa tradução livre de Lucas 18:17, está escrito "quem não tiver um coração como de criança, não poderá desfrutar o melhor que foi preparado pra nós". Ou seja, aquele que abre mão da sua essência está fadado a viver uma vida medíocre (mesmo que aos olhos do mundo pareça ser um grande sucesso). O que acontece é que ao invés de amadurecermos também a nossa essência, nós a apelidamos de criança, os planos viram sonhos, as idéias meros vislumbres do que não será. O que precisa ser feito é que a essência que nos forma deve nos acompanhar e crescer conosco.
Não se trata de idéia de auto-ajuda que diz que o segredo é mentalizar, ter pensamento positivo, acreditar e tudo acontece. É furada. Acreditar e confiar infelizmente estão sujeitos à uma série de outros fatores que nunca apresentarão firmeza o bastante para ser base de algo na nossa vida. Uma das questões levantadas no último texto foi sobre mudar o mundo. Gandhi falou que para mudar o mundo basta mudar a si mesmo. Nós temos que conhecer e reconhecer a nossa essência - ela não muda com o tempo. Mudar a si mesmo, acredito, trata-se de amadurecer essa essência ao ponto de que independente do que aconteça na sua vida, você nunca deixe de saber quem você é.
A nossa posição no mundo, nossa auto-confiança, nosso valor, nossas crenças, até a nossa existência, para se manter constante deve estar firmado em algo que possua firmeza. Não é uma tarefa fácil e as pressões e necessidades que temos tentam de qualquer modo nos diminuir (ou exaltar) com base em falsos conceitos, em bases mutáveis e corrompíveis. Mas é uma tarefa necessária para os que não querem viver sempre se questionando. Posso dizer que as minhas dúvidas e apreensões (que continuarão existindo) não tiram mais a minha paz. Sou cristão e atribuo muito da minha mudança à presença de Deus na minha vida, mas não acredito nessa história que basta jogar na mão dEle e esquecer. Santo Agostinho disse que "devemos orar como se tudo dependesse de Deus e trabalhar como se tudo dependesse de nós mesmos". E, até a fé que tenho nEle, se não baseada na ciência do que sei (e não apenas acredito), acaba sendo levada de um lado para o outro como as folhas pelo vento. Tudo reside na constância - mas isso é tópico para outra discussão.
A resposta que encontrei até o momento é que a nossa essência, o nosso valor real, só será reduzido quando nosso valor percebido é diminuído se optamos por sermos percebidos pelo que representamos e não pelo que de fato somos.
Este texto não está acabado pois sei que sempre haverá como crescer e amadurecer. A minha visão é como a que se tem em um espelho - vejo apenas o meu reflexo. Mas agregando a visão de amigos, familiares, colegas de trabalho, Deus, pessoas que gostam da gente, pessoas que não gostam, eu serei capaz de ver um pouco mais de quem sou. Como Paulo disse em I Corintios 13:12, "porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." Para conhecermos a nós mesmos, temos que conhecer os outros também. Aristóteles estava certo quando disse que o homem é um animal social, assim como Davi quando no Salmo 131 diz que "é bom e suave que os irmãos vivam em união".
Quando escrevo, tento sempre fugir da tônica pessoal, procurando mostrar a perspectiva de um observador. Medida adotada para evitar poluir a mensagem a ser passada ou impedir uma maior identificação do leitor com o texto. Mas, para não me perder na densidade das palavras que se mescla com a minha incapacidade de melhor expressar a mensagem quero passar, usarei uma espécie de relato pessoal entrelaçados com máximas de conhecimento comum. Creio que deste modo eu consiga atingir meu objetivo, apesar das dúvidas em relação a integridade do cumprimento da missão.
A discussão sobre o valor percebido pelo mundo/sociedade me trouxe à minha atual condição que, de alguma forma, é também a condição de alguns dos meus amigos. E a questão com a qual me deparei é: Até que ponto a nossa percepção de nós mesmos é ferida quando não nos encaixamos nos valores impostos na esfera maior? Em outras palavras, até que ponto nosso valor real é diminuído quando nosso valor percebido é reduzido? E foi essa questão que me levou a uma tentativa de análise por outro prisma, com o enfoque naquilo que se perde, ou se esconde, em cada pessoa antes que sejam ditas as palavras e executadas as atividades a cada um atribuídas.
Para todos os efeitos, eu era um cara valorizado na perspectiva da esfera maior. Formado e pós-graduado, trabalhando e ganhando um bom salário, carro na garagem. Enfim, desfrutava das supostas regalias que o status aparente me trazia. Até o meio do ano passado, quando decidi pedir demissão. O motivo era que eu não me sentia realizado no emprego e que isso estava transbordando para outras áreas da vida, como se isso não fosse óbvio. Passado o período de euforia após a decisão "tresloucada", a angústia começou a bater. Não porque a situação começou a complicar - o planejamento foi bem cuidadoso para o tiro não sair pela culatra. A angústia originou-se do fato de que pedir demissão não aplacou o mal que me acometia. Em suma, eu acabei agindo sobre um efeito e não sobre a causa. Além disso, a percepção do mundo mudou muito a meu respeito - deixando de ser exemplo para virar estatística. E isso me fez ficar chateado algumas vezes ou até envergonhado. Senti que havia sido abalado, temi ter tomado a decisão errada e, depois de tantas negativas dos processos que me engajei, comecei a questionar a minha capacidade e o meu valor.
Resolvi então pisar no freio e aproveitar o tempo livre para buscar o que eu gostava a meu respeito e que havia perdido nos últimos anos. Retomei alguns hobbies, a minha fé, alguns amigos e, principalmente, alguns hábitos. Percebi que o que foi retomado não se tratavam de caprichos juvenis que foram abandonados pela "maturidade dos anos", mas sim partes elementares que me compõe como ser. O que me fazia mal na minha vida não era o emprego ou o receio de ter tomado as decisões erradas - era o fato de que eu estava abrindo mão do que eu era na verdade para me apoiar e abraçar o que eu representava na esfera maior. Causa identificada e o alívio proveniente disso não é algo temporário como a morfina. Alívio de cura. O que estava sendo asfixiado alguns chamam de criança interior, eu prefiro chamar de essência.
Veja bem, não quero aqui fazer apologia a qualquer corrente de pensamento que diz que o trabalho não deveria existir, que o importante é ser feliz mesmo que se afogando em dívidas ou nada de pensamento age-of-aquarius-new-age-hippie-ish. Reitero o que foi escrito no texto anterior, temos que aprender a viver na sociedade como ela se apresenta se há o desejo de mudá-la ou melhorá-la. Percebi que o problema reside justamente quando a essência acaba tendo que se tornar a tal da "criança interior". A nossa essência é algo que é bem latente quando somos mais novos - sempre idealizando, viajando, sonhando. Na cabeça dos pequenos, não há limites, todos podem ser astronautas, jogadores de futebol, médicos, mágicos e até super-heróis. Mas aí chega a idade adulta e preferimos abrir mão dessa essência para abraçar o prático. E isso não tem nada a ver com escolha de carreira profissional - mesmo perseguindo os sonhos, uma hora nos deparamos com a necessidade de mudar as prioridades. Forma-se uma camada doente, pessoas inócuas que não respondem mais ao que realmente são, mas apenas à esfera maior.
Numa tradução livre de Lucas 18:17, está escrito "quem não tiver um coração como de criança, não poderá desfrutar o melhor que foi preparado pra nós". Ou seja, aquele que abre mão da sua essência está fadado a viver uma vida medíocre (mesmo que aos olhos do mundo pareça ser um grande sucesso). O que acontece é que ao invés de amadurecermos também a nossa essência, nós a apelidamos de criança, os planos viram sonhos, as idéias meros vislumbres do que não será. O que precisa ser feito é que a essência que nos forma deve nos acompanhar e crescer conosco.
Não se trata de idéia de auto-ajuda que diz que o segredo é mentalizar, ter pensamento positivo, acreditar e tudo acontece. É furada. Acreditar e confiar infelizmente estão sujeitos à uma série de outros fatores que nunca apresentarão firmeza o bastante para ser base de algo na nossa vida. Uma das questões levantadas no último texto foi sobre mudar o mundo. Gandhi falou que para mudar o mundo basta mudar a si mesmo. Nós temos que conhecer e reconhecer a nossa essência - ela não muda com o tempo. Mudar a si mesmo, acredito, trata-se de amadurecer essa essência ao ponto de que independente do que aconteça na sua vida, você nunca deixe de saber quem você é.
A nossa posição no mundo, nossa auto-confiança, nosso valor, nossas crenças, até a nossa existência, para se manter constante deve estar firmado em algo que possua firmeza. Não é uma tarefa fácil e as pressões e necessidades que temos tentam de qualquer modo nos diminuir (ou exaltar) com base em falsos conceitos, em bases mutáveis e corrompíveis. Mas é uma tarefa necessária para os que não querem viver sempre se questionando. Posso dizer que as minhas dúvidas e apreensões (que continuarão existindo) não tiram mais a minha paz. Sou cristão e atribuo muito da minha mudança à presença de Deus na minha vida, mas não acredito nessa história que basta jogar na mão dEle e esquecer. Santo Agostinho disse que "devemos orar como se tudo dependesse de Deus e trabalhar como se tudo dependesse de nós mesmos". E, até a fé que tenho nEle, se não baseada na ciência do que sei (e não apenas acredito), acaba sendo levada de um lado para o outro como as folhas pelo vento. Tudo reside na constância - mas isso é tópico para outra discussão.
A resposta que encontrei até o momento é que a nossa essência, o nosso valor real, só será reduzido quando nosso valor percebido é diminuído se optamos por sermos percebidos pelo que representamos e não pelo que de fato somos.
Este texto não está acabado pois sei que sempre haverá como crescer e amadurecer. A minha visão é como a que se tem em um espelho - vejo apenas o meu reflexo. Mas agregando a visão de amigos, familiares, colegas de trabalho, Deus, pessoas que gostam da gente, pessoas que não gostam, eu serei capaz de ver um pouco mais de quem sou. Como Paulo disse em I Corintios 13:12, "porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." Para conhecermos a nós mesmos, temos que conhecer os outros também. Aristóteles estava certo quando disse que o homem é um animal social, assim como Davi quando no Salmo 131 diz que "é bom e suave que os irmãos vivam em união".
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