quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Natural History / Italy and China - Dias 3 e 4

Dia 3 - Natural History - 21/Setembro

Acordamos umas 8h30 e tomamos café aqui no hostel. Saímos umas 9h30 para ir ao Metropolitan (ainda levando quase toda a nossa bagagem pois estávamos sem armário). A distância de uns 10 quarteirões razoavelmente pequenos e padronizados nos impulsionou a ir caminhando. O Met não abre às segundas, então resolvemos ir ao American Museum of Natural History (AMNT), pois era apenas atravessar o Central Park. Sem pressa, aproveitamos a caminhada pelo parque que é muito tranquilo.


Tiramos foto de uns esquilos, vimos algumas crianças brincando, descansamos um pouco. Chegamos ao AMNT às 11h30. O museu é enorme e sensacional. Tiramos várias fotos, vimos um show no Planetário e andamos até as pernas doerem. Saímos de lá umas 16h30, após uma parada para um lanche na praça de alimentação do museu. Voltamos novamente pelo Central Park e no caminho para o hostel paramos em uma farmácia e em uma loja da T-Mobile, onde compramos um chip de celular pré-pago. Na Lexington Av. com a 86th st., tem diversas lojas (uma Gamestop, uma H&M, uma BestBuy, uma Barnes & Noble e outras). Passamos na B&N e eu comprei meu primeiro livro - a loja é nova, então o estoque ainda está sendo montado. Quando chegamos ao hostel, algumas pessoas tinham saído do quarto (estamos em um quarto com 10 pessoas), então conseguimos pegar um armário - já é um começo. Colocamos os cadeados lá e descemos para ficar no quintal do hostel, trocar uma idéia e pensar no jantar. Depois de um tempo começamos a conversar com um pessoal. No papo estavam, além de nós, um francês, um uruguaio, dois californianos e uma alemã.
O francês se chama Arnauld (o único que sabemos o nome), tirou 6 meses pra viajar pelo mundo. Começou nos EUA, vai fazer uma roadtrip até a costa oeste (route 66), depois vai para a Ásia, África e de volta para Toulouse. O uruguaio estudou em uma faculdade que envia os alunos para viajar pelo mundo quando estão prestes a se formar. Começou na Ásia, foi pra Europa e hoje foi a última noite antes de voltar para o Uruguai. A alemã pelo visto gosta muito de beber, tanto que estava se gabando de ter ganhado de um irlandês em um drinking game - no mínimo impressionante. Os californianos vieram passar uns dias em NY pra visitar uns amigos. Contaram histórias engraçadas, as melhores sobre casos de DUI (quando se é preso por se dirigir bêbado), só que um dos casos foi em uma bicicleta (uma BUI) e a outra em um carrinho de supermercado! Todos eles ficam até amanhã no hostel, então vão sair para aproveitar a última noite e nos chamaram. Mas por questões físicas e financeiras, resolvemos ficar no hostel e dormir.


Dicas - Dia 3

- AMNT - começar a visitar dos andares mais baixos e ir subindo. São 4 andares e os dois primeiros são os mais extensos.
- AMNT - a entrada simples basta, não precisa pagar mais pelos "eventos especiais", questão de low budget
- AMNT - para não pagar o suggested value, basta falar no caixa quanto você quer pagar. E traga carteirinha de estudante, mesmo que não seja da ISIC.
- Caso não tenha acesso à internet, comprar um chip pré-pago vale a pena.
- Extrapole no planejamento pois a cidade é bem cara.
- Traga sabonete, cortador de unha, cotonetes, xampu. Comprar por aqui pode se mostrar uma tarefa não tão agradável. Principalmente sobre bucha de banho. A daqui destrói camadas da sua pele até a quarta geração.


Dia 4 - Italy and China - 22/Setembro

Acordamos cedo, tomamos café e fomos conhecer os bairros de Little Italy e Chinatown. Chegamos umas 10h20 e encontramos quase tudo fechado. Os dois bairros se misturam, como se você atravessasse a rua saísse do Bixiga e caísse na Liberdade. Chinatown tem um péssimo cheiro, uma mistura ruim de Liberdade com Sé, com algumas partes da Consolação. Andamos por lá até umas 12h e os lugares mais apetecíveis eram os restaurantes japoneses. Visitamos algumas lojas, descemos para a Broadway Av., depois passamos pela Brooklyn Bridge.



Visitamos as lojas da Paul Frank e Urban Outfitters antes do almoço em um restaurante mexicano, com direito a água refil, doritos caseiros e arroz e feijão. Andamos mais um pouco pela Broadway Av., passamos na Swatch e depois em uma livraria chamada St. Mark's Bookstore - simples, mas bem legal. Por volta das 15h30 resolvemos voltar, mas descemos na 86th st. (o hostel fica na 94th), para passarmos em algumas lojas. Passamos na H&M, compramos algumas coisas e depois fomos para o hostel, onde chegamos umas 17h30. Uma ducha e uma soneca de umas 3h para recuperar do cansaço. Umas 21h descemos para o quintal e conhecemos um holandês que chegou hoje. Psicólogo, já viajou o mundo todo e fala uns 6 idiomas. O cara parece ser gente boa e, como vai ficar até o dia 29 também, talvez a gente converse mais com ele. Jantamos um doritos e um cup noodles - comer por aqui pode ser bem enjoativo. Entramos na internet (paga) para pegar uns endereços das lojas que iríamos visitar amanhã e responder uns e-mails. E assim acabou o terceiro dia, faltam seis dias cheios pela frente.



Dicas - Dia 4

- Alternar entre um dia corrido e um dia mais calmo
- Caso vá a Chinatown, procure saber com antecedência o que quer visitar
- Vale a pena entrar em todas as livrarias que encontrar
- Converse com o pessoal do hostel. Você terá dicas de lugares para ir, idéias para próximas viagens e até algumas dicas de como não gastar
- Se bem planejada, uma semana é o bastante em NY (Manhattan)
- Programe-se para chegar nos lugares após as 10h (A não ser que já saiba o horário de funcionamento).
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Up, up and away / Touchdown - Dias 1 e 2

Nos próximos posts o modo Doug Funny estará ligado. Vou relatar um pouco sobre a viagem de 20 dias para os EUA que começou em 19/setembro e acabará em 09/outubro.

Dia 1 - Up, up and away - 19/Setembro

Saída de Guarulhos às 23h20, o avião estava lotado e as poltronas eram um pouco melhores que da última vez que viajei, mas mesmo assim, espaço bem limitado. Nas próximas 9 horas, além da dor nas costas intensas, alternei entre cochilos rápidos, episódios de seriados e assistindo algum filme (assisti o do Wolverine e o novo da Nia Vardalos).



Dicas - Dia 1

- Além do óbvio, como chegar 3 horas antes do vôo e fazer o check-in o quanto antes, vale destacar que quase nada precisa ser declarado na alfândega - mesmo assim, caso leve câmeras ou notebook, uma passagem por lá é obrigatória.

Dia 2 - Touchdown - 20/Setembro

Chegamos no México por volta de 6h15 (horário local) e demorou uma hora até sermos atendidos e liberados pela imigração. Aeroporto simples, mas bem organizado. Na volta, há a possibilidade de darmos uma volta na Cidade do México, já que ficaremos 12 horas por lá - e a parte boa é que não precisaremos retirar as malas e despachá-las de novo, elas seguirão diretamente para o Brasil. 10h10 pegamos o vôo para Nova York, o avião era menor e eu ainda de quebra fiquei na frente da saída de emergência e a poltrona não reclinava. Aterrisamos em NY por volta de 16h15 (horário local) e a primeira frase ouvida em território americano foi "bienvenidos a Nueva Iorque". Apesar de um dos agentes da aduana estranhar o fato de ficarmos por 20 dias apenas com as mochilas e uma mala de mão, fomos liberados sem maiores complicações e atrasos. Mala em mãos, fomos em direção ao Air Train e conectar no metrô. No Air Train, tudo simples, mas o sistema metroviário é uma zona. Diversas linhas, algumas estações funcionam apenas em horários específicos e diferenças entre expressa e local. Depois de nos localizarmos, pegamos o metrô para Manhattan. Para conectar em outra linha, saímos da estação e andamos até a outra. A viagem levou uns 50 minutos.
Chegamos no hostel que fica na East 94th st, entre a Lexington e 3rd Av. Quando chegamos, uma das camas estava ocupada e não haviam armários disponíveis. O atendente disse que no outro dia teriam armários disponíveis, mas que teríamos que esperar. Colocamos então tudo de valor nas mochilas e fomos procurar um local pra jantar. Achamos um McDonalds aqui perto, voltamos para o hostel e dormimos com as mochilas ao lado de nossas cabeças na cama.

Dicas - Dia 2

- Se não for comprar um notebook, traga o seu.
- Tentar chegar antes de anoitecer para conhecer o bairro por perto.
- Trazer dinheiro trocado.
- Não levar dinheiro comprado para comprar alguma coisa, por aqui o imposto é cobrado separadamente, direto no caixa.
- Se ficar em hostel, tente buscar informações antes ou que seja recomendado por alguém que conhece.
- Mc Donalds e Taco Bell são opções de baixo poder aquisitivo extremo. Não espere ver celebridades por lá. O gosto do Mc, todavia, é exatamente igual ao do Brasil. Então é uma opção "segura".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Assim falou o Xampu

Há um tempo, na hora do banho, estava lendo os rótulos dos xampus. Um deles, dos vários que as mulheres de casa usam, tinha uma frase esquisita atrás, que traduzindo do inglês era algo como: "Eu te darei o Complexo de Rapunzel!". Analisando a minha situação e o histórico folicular, não tinha como acreditar na promessa feita pelo xampu. Mas como eu acredito no benefício da dúvida, resolvi me arriscar e usei o resto do xampu.

O escarcéu começou com a briga entra as duas, troca de acusações e, por fim, olhares complacentes que se tornaram lancinantes quando ao mesmo tempo olharam pra mim. Pelo pouco que distingui na verborragia regada a perdigotos, aquele era um xampu muito caro (disso eu não duvidava, aparentemente tinha poderes mágicos) e elas estavam guardando o restinho pra usar naquele sábado, no dia do casamento de uma prima do interior.

Não entendi porque algo tão precioso era largado com desdém no meio da multidão, mas acho que isso acontece com mais frequencia do que imaginamos. E, se havia algum ímpeto de fazer a pergunta, os olhares rosnantes me desencorajaram. Acabei trancado no meu quarto, o cabelo ainda rareando. Xinguei o xampu que além de me gerar todo esse problema, ainda era um mentiroso. Olhando pela janela do 18º andar, ficava imaginando como seria bom estar lá embaixo, mas não tinha como descer. Se ao menos eu tivesse cordas longas, talvez tranças, eu poderia chegar lá embaixo.

Apesar do crescimento capilar sendo desafiado e inibido a cada dia, acho que ainda consigo deixar tranças crescerem. Apenas as tranças.
Acho que o xampu cumpriu a promessa.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Down the road

O trecho é percorrido em pouco tempo, beirando os 45-50 minutos. No final de tarde, o calor não dá trégua. Reticente, desço em direção ao metrô e a corrente de vento dá um alívio que sei que será temporário. Como se fosse um modo de dizer que dali em frente, a situação ia piorar. O metrô lotado, na baldeação além de lotado estava atrasado. Guardei o livro porque não havia condições de ler e quando desci do metrô, uma olhadela no relógio foi o bastante para ver que já se passavam das 18h. Não ia dar tempo de matar tempo na livraria, então comecei a descida em direção ao prédio da pós.

Apesar do calor, a brisa do crepúsculo era o bastante para evitar que o suor pasasse de algumas gotículas na testa. A caminhada é feita em silêncio, do mesmo modo como foi o dia até o momento. Chego cansado, mas não da caminhada. Só mais cinco dias e tanto trabalho pra fazer. Cansado de tanto silêncio e indiferença mesclado com espasmos de alegria. E a contagem regressiva continua.
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sábado, 22 de agosto de 2009

Turning pages back and forth

Ainda me lembro quando, em 1994, minha mãe chegou em casa com o kit de lançamento do Retorno do Superman, vinha com um daqueles stencil para colocar na camiseta (que eu guardei por uns 8 anos até que em uma mudança, acabou se rasgando), alguns adesivos e o primeiro dos quatro volumes da história do Retorno, com a capa vazada e o símbolo do Superman/Ciborgue. Eu não faço idéia de quantas vezes eu li aquela revista, mas eu decorei os lugares dos desenhos e até algumas das falas - foi a primeira vez que eu li palavrão em um gibi, até então não tinha isso nas minhas 'leitulas'. Daí por diante, foram inúmeros dias buscando gibis raros e até consegui montar uma coleção boa (tinha quase todos os números publicados pela Abril e ainda alguns de antes da Ebal). Inúmeras noites indo dormir tarde lendo as revistas e torrando a mesada nas edições especiais. Aí tinham os fanzines também. Enfim, foram vários anos e vários R$ - sem nenhum arrependimento. Mas teve um dia que eu resolvi parar de vez (porque já tinha tentado umas duas vezes antes).

Eu havia esquecido como era legal ler quadrinhos. Tinha julgado que era uma fase encerrada. Mas temos alguns costumes/atividades na vida que fazem parte de quem somos e não algo ligado a faixa etária ou fase da vida. O fato é que quando nós começamos a repensar a vida e queremos galgar mais um degrau mas ainda não sabemos qual a escada correta, a gente busca refúgio nas certezas que temos.
Outra coisa que fazemos é retomar os costumes que deixamos para trás, aqueles que provavelmente não deveríamos ter deixado.

Coisa de criança mesmo é a eterna mania de querer ser adulto. Claro que não é nada fenomenal ou que gera reviravoltas na vida. É apenas algo que me faz bem. É um mundo do qual eu gosto de fazer parte.

Como um amigo disse - apesar de estar um pouco fora do contexto:
" Yet I never really run out of magic words, nor of shapes to change from and into: I only run, period."

De volta ao mundo que me faz lembrar que eu ainda tenho muito o que correr.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Medo de altura

Cada decisão tomada foi baseada no momento - seja este decorrente do acúmulo de acontecimentos ou na incompatibilidade com a continuação da rotina. No caso, a minha mudança foi pedir demissão de um emprego que me dava segurança financeira, ainda que temporária e sair sem uma nova oportunidade laboral, sem rumo a seguir.

Cada mudança de rota deve ser feita com dois principais passos - o primeiro é sair do caminho atual e o segundo é entrar no caminho novo. Vez ou outra, para se sair de um caminho deve-se parar. Em alguns dos casos, é necessário voltar pelo caminho, mesmo que seja na contramão.

O cenário do mundo inteiro diz que o ideal é se segurar e esperar a tempestade passar. O conselho na boca de jovens e anciãos é o mesmo: "melhor não arriscar em tempos como este", ou então "melhor pingar que faltar".
Mas, e quando o desespero não dá alternativa? Quando a angústia impede a razão? E quando o tempo se esgota no meio da turbulência? Quando se vê em queda livre, não se olha pra baixo para saber onde saltar, apenas puxamos a corda de nossos paraquedas.

O primeiro passo é sair da situação atual. É abandonar o navio à deriva, o avião em queda livre. E para isso, preparei meu paraquedas, meu bote salvavidas. Eles não me levarão para onde eu tenho que chegar, mas ao menos servem pra segurar as pontas para que eu comece a caminhada.

Para alguns dos observadores, pareceu um ato de coragem - no vôo em queda, apenas a tripulação sabe as reais motivações das mudanças de rota ou dos que se lançam ao ar dependendo de um pedaço de tecido que te impeça de morrer na queda. E a tripulação inteira era eu. Para outros, um ato inconsequente. Nesse ponto eu devo dar o braço a torcer - mas apenas parcialmente. Uma das consequências eu sabia, que era a de dar o primeiro passo para mudar meu caminho. Daí por diante, realmente não tinha como antever. Fui inconsequente, se assim querem dizer. Em suma, eu sabia que tinha que pular mas não tenho a mínima idéia de onde vou pousar.

E é neste ponto que me encontro: caindo lentamente em direção a um chão que ainda não vejo para começar uma caminhada para um local que ainda não sei. Não sei a que altura estou, não sei até quando terei que ficar com este paraquedas, não sei se vou aterrisar em segurança, não sei se terei que me livrar de coisas que carrego comigo. Tudo que sei é que tenho esse período até que meus pés toquem o chão (e eu realmente espero cair em terra firme) para decidir para onde vou e o que vou fazer. Ao mesmo tempo que desejo que essa queda acabe, temo que ela chegue ao fim antes que eu consiga estar pronto pra caminhar.

Por esse motivo que a insônia vem - eu quero empurrar o amanhã pra longe, cada dia que passa foi um que perdi sem tomar um rumo, uma decisão. E há também o receio de que quando eu chegue lá no chão, eu acabe tomando um outro avião destinado a uma nova queda, só que sem a possibilidade de pular de paraquedas.
Alguns me dizem que na maioria das vezes tudo que precisamos se encontra ao nosso alcance. A pergunta que não se cala é: como achar o que se procura sem saber o que é?

E a queda é algo que te faz solitário, porque ninguém consegue saber como é a sua queda. Do ponto que estou hoje apenas espero poder estar com pernas firmes e mente sólida para tomar meu novo rumo e cumprir a minha missão sem ter medo de cair ou de se arrepender.

Queria ser menos abstrato ou menos romanceado, mas tudo me parece tão passageiro, como se nada consiga de fato ser vinculado à realidade.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Nihil novum sub solem

Se pudesse transcrever os pensamentos conflitantes em palavras de conclusão determinista, eu o faria.


Se pudesse trocar as dúvidas etéreas e calamitosas por certezas pétreas de decepção dilacerante, eu o faria.


Se pudesse abandonar a minha falsa existência patética e incompleta para abraçar uma vida isenta de sorrisos porém real, eu o faria.


Se pudesse renegar a ilusão de caminhar em círculos para viver em uma realidade inerte com os pés eternamente fixos em solo infértil, eu o faria.


Se pudesse ab-rogar uma carreira com vitórias e derrotas de lutas sem propósito por apenas uma luta memorável, imersa na vergonha indelével da derrota, eu o faria.


Se pudesse substituir a voz frágil que desfere meias palavras de um coração dobre pelo infindável silêncio da inexpressão, eu o faria.


Se pudesse abrir mão das diversas portas entreabertas e dos múltiplos devaneios de pseudo-esperança para me deparar com apenas uma porta, mesmo que fechada, cuja esperança já tenha se esvaído por completo, eu o faria.



Contudo, a cada passo, a minha miríade de diferentes caminhos reduz.



Quando optei por viver me desfiz das possibilidades de traçar o caminho fácil.


Quando optei por pensar, ofereci meus ombros voluntariamente ao limitante fardo do conhecimento.


Quando optei por crer, meus olhos foram imunizados contra a vista grossa da mediocridade.



Em tom claustrofóbico de fé minguante de quem busca a convicção além da razão.
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