quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Natural History / Italy and China - Dias 3 e 4
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Up, up and away / Touchdown - Dias 1 e 2
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Assim falou o Xampu
O escarcéu começou com a briga entra as duas, troca de acusações e, por fim, olhares complacentes que se tornaram lancinantes quando ao mesmo tempo olharam pra mim. Pelo pouco que distingui na verborragia regada a perdigotos, aquele era um xampu muito caro (disso eu não duvidava, aparentemente tinha poderes mágicos) e elas estavam guardando o restinho pra usar naquele sábado, no dia do casamento de uma prima do interior.
Não entendi porque algo tão precioso era largado com desdém no meio da multidão, mas acho que isso acontece com mais frequencia do que imaginamos. E, se havia algum ímpeto de fazer a pergunta, os olhares rosnantes me desencorajaram. Acabei trancado no meu quarto, o cabelo ainda rareando. Xinguei o xampu que além de me gerar todo esse problema, ainda era um mentiroso. Olhando pela janela do 18º andar, ficava imaginando como seria bom estar lá embaixo, mas não tinha como descer. Se ao menos eu tivesse cordas longas, talvez tranças, eu poderia chegar lá embaixo.
Apesar do crescimento capilar sendo desafiado e inibido a cada dia, acho que ainda consigo deixar tranças crescerem. Apenas as tranças.
Acho que o xampu cumpriu a promessa.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Down the road
Apesar do calor, a brisa do crepúsculo era o bastante para evitar que o suor pasasse de algumas gotículas na testa. A caminhada é feita em silêncio, do mesmo modo como foi o dia até o momento. Chego cansado, mas não da caminhada. Só mais cinco dias e tanto trabalho pra fazer. Cansado de tanto silêncio e indiferença mesclado com espasmos de alegria. E a contagem regressiva continua.
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sábado, 22 de agosto de 2009
Turning pages back and forth
Eu havia esquecido como era legal ler quadrinhos. Tinha julgado que era uma fase encerrada. Mas temos alguns costumes/atividades na vida que fazem parte de quem somos e não algo ligado a faixa etária ou fase da vida. O fato é que quando nós começamos a repensar a vida e queremos galgar mais um degrau mas ainda não sabemos qual a escada correta, a gente busca refúgio nas certezas que temos.
Outra coisa que fazemos é retomar os costumes que deixamos para trás, aqueles que provavelmente não deveríamos ter deixado.
Coisa de criança mesmo é a eterna mania de querer ser adulto. Claro que não é nada fenomenal ou que gera reviravoltas na vida. É apenas algo que me faz bem. É um mundo do qual eu gosto de fazer parte.
Como um amigo disse - apesar de estar um pouco fora do contexto:
" Yet I never really run out of magic words, nor of shapes to change from and into: I only run, period."
De volta ao mundo que me faz lembrar que eu ainda tenho muito o que correr.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Medo de altura
Cada mudança de rota deve ser feita com dois principais passos - o primeiro é sair do caminho atual e o segundo é entrar no caminho novo. Vez ou outra, para se sair de um caminho deve-se parar. Em alguns dos casos, é necessário voltar pelo caminho, mesmo que seja na contramão.
O cenário do mundo inteiro diz que o ideal é se segurar e esperar a tempestade passar. O conselho na boca de jovens e anciãos é o mesmo: "melhor não arriscar em tempos como este", ou então "melhor pingar que faltar".
Mas, e quando o desespero não dá alternativa? Quando a angústia impede a razão? E quando o tempo se esgota no meio da turbulência? Quando se vê em queda livre, não se olha pra baixo para saber onde saltar, apenas puxamos a corda de nossos paraquedas.
O primeiro passo é sair da situação atual. É abandonar o navio à deriva, o avião em queda livre. E para isso, preparei meu paraquedas, meu bote salvavidas. Eles não me levarão para onde eu tenho que chegar, mas ao menos servem pra segurar as pontas para que eu comece a caminhada.
Para alguns dos observadores, pareceu um ato de coragem - no vôo em queda, apenas a tripulação sabe as reais motivações das mudanças de rota ou dos que se lançam ao ar dependendo de um pedaço de tecido que te impeça de morrer na queda. E a tripulação inteira era eu. Para outros, um ato inconsequente. Nesse ponto eu devo dar o braço a torcer - mas apenas parcialmente. Uma das consequências eu sabia, que era a de dar o primeiro passo para mudar meu caminho. Daí por diante, realmente não tinha como antever. Fui inconsequente, se assim querem dizer. Em suma, eu sabia que tinha que pular mas não tenho a mínima idéia de onde vou pousar.
E é neste ponto que me encontro: caindo lentamente em direção a um chão que ainda não vejo para começar uma caminhada para um local que ainda não sei. Não sei a que altura estou, não sei até quando terei que ficar com este paraquedas, não sei se vou aterrisar em segurança, não sei se terei que me livrar de coisas que carrego comigo. Tudo que sei é que tenho esse período até que meus pés toquem o chão (e eu realmente espero cair em terra firme) para decidir para onde vou e o que vou fazer. Ao mesmo tempo que desejo que essa queda acabe, temo que ela chegue ao fim antes que eu consiga estar pronto pra caminhar.
Por esse motivo que a insônia vem - eu quero empurrar o amanhã pra longe, cada dia que passa foi um que perdi sem tomar um rumo, uma decisão. E há também o receio de que quando eu chegue lá no chão, eu acabe tomando um outro avião destinado a uma nova queda, só que sem a possibilidade de pular de paraquedas.
Alguns me dizem que na maioria das vezes tudo que precisamos se encontra ao nosso alcance. A pergunta que não se cala é: como achar o que se procura sem saber o que é?
E a queda é algo que te faz solitário, porque ninguém consegue saber como é a sua queda. Do ponto que estou hoje apenas espero poder estar com pernas firmes e mente sólida para tomar meu novo rumo e cumprir a minha missão sem ter medo de cair ou de se arrepender.
Queria ser menos abstrato ou menos romanceado, mas tudo me parece tão passageiro, como se nada consiga de fato ser vinculado à realidade.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Nihil novum sub solem
Se pudesse transcrever os pensamentos conflitantes em palavras de conclusão determinista, eu o faria.
Se pudesse trocar as dúvidas etéreas e calamitosas por certezas pétreas de decepção dilacerante, eu o faria.
Se pudesse abandonar a minha falsa existência patética e incompleta para abraçar uma vida isenta de sorrisos porém real, eu o faria.
Se pudesse renegar a ilusão de caminhar em círculos para viver em uma realidade inerte com os pés eternamente fixos em solo infértil, eu o faria.
Se pudesse ab-rogar uma carreira com vitórias e derrotas de lutas sem propósito por apenas uma luta memorável, imersa na vergonha indelével da derrota, eu o faria.
Se pudesse substituir a voz frágil que desfere meias palavras de um coração dobre pelo infindável silêncio da inexpressão, eu o faria.
Se pudesse abrir mão das diversas portas entreabertas e dos múltiplos devaneios de pseudo-esperança para me deparar com apenas uma porta, mesmo que fechada, cuja esperança já tenha se esvaído por completo, eu o faria.
Contudo, a cada passo, a minha miríade de diferentes caminhos reduz.
Quando optei por viver me desfiz das possibilidades de traçar o caminho fácil.
Quando optei por pensar, ofereci meus ombros voluntariamente ao limitante fardo do conhecimento.
Quando optei por crer, meus olhos foram imunizados contra a vista grossa da mediocridade.
Em tom claustrofóbico de fé minguante de quem busca a convicção além da razão.
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