quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Formas Vazias
--
Pão e circo. Séculos depois, a motivação permanece a mesma.
Uma hora o pão acaba ou apodrece. E, na verdade, só quero ver o circo pegar fogo.
--
No paralelepípedo em que me encontro com portas e janelas fechadas
Os olhos também entreabertos tentam espiar o momento em que poderei sair
Até lá, com as mãos cubro os ouvidos para não te ouvir chorar.
--
A culpa e o ressentimento ficam bumerangueando. É uma bobagem acreditar que basta ser forte e jogá-los pra longe. Forma a elipse e lá vem eles de novo. Deixa no chão, deixa?
.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Just like the Three Wise Men
O olhar de amante
Lágrimas de pérolas
Salgadas
Tão carinhosamente colhidas
e guardadas
nas noites já perdidas
----
Mãos grandes
apequenam-se
A pequena convicção
de uma grande dúvida
----
Correndo atrás de uma estrela
Que ainda não consigo ver brilhar
Para um destino que teima não chegar
Para um ano que começa enquanto
este leva uma eternidade para acabar
.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Still there, middle of nowhere
DOIS) Não há compreensão completa do lado de fora. Os esforços inúteis, apesar de sinceros, não surtem efeito algum na realidade compartilhada apenas consigo mesmo. Em suma, não se deve alegar entender a situação alheia por intermédio de clichês mal posicionados. Se isso fosse necessário e eficaz, as apresentações enviadas por email serviriam para gerar epifanias e resolver crises existenciais.
TRÊS) Acostuma-se a viver em um complexo labirinto de ilusões em que conseguimos entrelaçar tantas mentiras de que quaisquer decepções podem ser facilmente amparadas por uma nova inverdade. Tudo isso para não encararmos a incerteza que a verdade pode trazer. Por isso diz o dr. Cal Lightman: "Felicidade ou verdade. Nunca ambos." Claro, nesta afirmação considera-se que a felicidade é apenas uma ilusão coletiva e não um objetivo utópico.
QUATRO) Errar é humano. Repetir o erro é mais humano. Algumas lições devem ser marcadas a fogo em nossa pele. As principais, as que não devemos nunca esquecer, as que farão parte de todas as decisões feitas e passos dados durante a nossa existência. Como um prego que para ser fixo deve receber diversos golpes de martelo, assim funciona com a persistência humana em alguns erros. Pense no seu calcanhar de Aquiles, a área em que mais se é fraco. É justamente lá em que os erros irão se repetir, para que além de se fortalecer, se possa sempre lembrar de que não ultrapassamos em nenhum ponto a reles humanidade.
CINCO) Busca-se assim um socorro, uma luz, algo que guie o(s) próximo(s) passo(s). Então começa a jornada em busca disso tudo. A procura é vasta, busca-se no ambiente, nas condições, nas pessoas que te cercam, dentro de si mesmo. Esquece-se quase sempre que mesmo que o que foi construído no decorrer da existência tenha sofrido avarias, raramente o alicerce é abalado. E no alicerce estão gravadas as direções para onde devo procurar. "Elevo os meus olhos aos céus, de onde me virá o socorro? O meu socorro vem de Deus." "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos." Como disse um amigo, os três reis magos tiveram que olhar para o céu para saber para onde deviam ir. Acho que do mesmo modo achamos o nosso caminho.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Só, letrando
Mas não tem como ser tão simples, aos poucos percebeu que haviam entrelinhas, mensagens subentendidas, metáforas e outras figuras de linguagem que, ora por outra, dizem o que não é dito de fato. Quando se acostumou a ler, via em cada palavra as suas letras. Cada qual podia ser uma nova palavra, uma nova frase, um novo livro. Não encarava mais cada palavra como um componente errático encaixado de modo inteligente pelas mãos letradas do escritor - mas cada qual possuía em si a capacidade de se desconstruir (e desconcertar) e formar em si só muito mais. Por ver tamanha individualidade nas palavras, sabia também da individualidade que possuía em si. E dessa individualidade, surgia a vergonha inevitável de ver suas letras espalhadas em histórias que não gostaria nem ao menos de ter lido, quanto mais reconhecer nelas o traço de sua autoria. Os olhos entreabertos ao olhar pra trás retratava bem em seu rosto o que tudo aquilo representava para si mesmo, a incapacidade de esquecer e a vergonha.
Quando era criança, ouvia com frequencia as pessoas dizendo: se Arrependimento matasse, eu teria morrido. Se eles soubessem que o arrependimento realmente mata, não usariam essa expressão tão leviana. Ainda mais porque o arrependimento é apenas o A, a primeira letra e o início de tanto mais que há de vir. "Se não tivesse dito tanta coisa". Arrepende-se apenas quando não se encontra no hoje, lógica para justificar o que fora ou não feito, o que fora ou não dito. E talvez por isso se arrependia, porque em sua mente não encontrava no presente razão para que suas letras escrevessem (e se perdessem) em textos tão vexatórios. Depois vem a Revolta. A sua revolta apenas tentava aplacar o arrependimento existente, ou talvez apenas convencê-lo de que o problema não é "o que" foi feito e sim, "como" foi feito. "Se não tivesse exagerado na dose". A revolta trouxe um conforto temporário, pois independente de como se explica, o erro, seu erro permanece indelével.
Na vida não se deixa palavras pela metade, mesmo que em algumas ocasiões tentemos cortá-las no meio. Neste caso, a caneta, enquanto traçava o começo, já havia, em si, decretado o fim. Assim, a escrita continuou e veio o REmorso. Ele surgiu quando ele percebeu que a revolta era vazia e o só lhe restava terminar o prato que ele mesmo havia preparado e posto à sua própria mesa. "Nosso amor se transformou em bom dia". Remorso é perceber que tudo aquilo se tornou só isso. Logo viu que já havia ido longe demais para voltar atrás, porém não havia a frente de si um destino que lhe apetecia. Surgem assim as PENdências, que são os pequenos passos (e penitências, muitas vezes auto-impostas) visando chegar em um objetivo que ainda não se vê. "Qual o segredo da felicidade?". Quantas vezes se perguntou qual o segredo, qual o caminho. Antes disso, será que realmente merecia tudo isso depois de tamanho desperdício? Quando caiu em si, só conseguia ver a DIstância. Não apenas a distância entre onde estava e onde queria estar. Mas também a distância de onde poderia estar e onde de fato estava. A distância que acabou criando entre si e os que admirava, entre si da realidade e o si que existia apenas nas fábulas em seu coração. "Sem teu carinho e tua atenção". Não conseguia reconhecer-se em si mesmo, não queria, a bem da verdade. Dizia em suas lamentações silenciosas: O que eu sou odeia o que me tornei.
Não querer encontrar dentro de si o responsável pela queda, o levou diretamente às MENtiras, que com seu gosto doce agradava o paladar e eram ditas aos ventos com facilidade. Mas, no âmago, tinham o gosto mais amargo. O que não mentiu disse que o que estraga o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela. "Se não tivesse inventado tanto". E foi tanta fábula disparada que aos poucos não sabia mais diferenciar a mentira da verdade. A caminhada se tornou tão sinuosa que perdeu-se no TOrmento da sua própria alma. O seu arrependimento se soletrava assim, mas será que acabaria desta maneira? "Podia ter vivido um amor".
Pensou em parar de ser (ou ler), afinal toda esta história poderia se resumir nas letras em vermelho. Mas, se não fosse livro, só lhe restaria a alternativa. Decidiu que a última palavra não seria a que tinha acabado de soletrar, mas não tinha idéia se havia ainda em si a capacidade ou as letras para (re)escrever o que restava de seu livro. "Será preciso ficar só pra se viver?" Escreveu então em voz baixa, com um lampejo de fé de que ainda haveria um leitor que não desistiria de lê-lo: Se viver, lerá.
________________________________
Os inserts entre aspas são da música Grand'Hotel do Kid Abelha. Para quem não conhece, clique.
.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Com as duas mãos no volante
Ele assume a não tão confortável postura do "eu avisei" e ela coloca os esmagadores sapatos do "eu não me estou envolvida". O que ele não sabe é que simplesmente citar o óbvio e jogar a responsabilidade pro lado de lá, não vai inocentá-lo por ter trazido a passageira do carro - e não adianta alegar que ela veio porque quis, ainda mais porque as suas mãos estão no volante, os seus pés nos pedais e o caminho traçado na sua mente. Ela, do outro lado, não sabe que mentir descaradamente alegando não se importar é apontar a arma carregada para o próprio peito, com disparo certeiro caso os caminhos se separem apenas na bifurcação. Rupturas assim não andam de mãos dadas com readaptação - por isso mesmo que é bem provável que ele vai novamente carregar em seu carro outras passageiras reticentes e seguir o mesmo roteiro. Enquanto do outro lado, ela também irá pegar carona com motoristas que não se importam com o caminho que ela quer seguir - ou que apenas se importem mais com o próprio caminho.
Um outro acontecimento comum é quando as contrapartes realmente se importam um com o outro - mas não o admitem por alegarem que se as cartas estiverem na mesa, a separação seria pior. Ledo engano, erro crasso. Apenas a verdade (o que inclui, sem dúvida, abrir mão do orgulho e da ilusão do controle) é capaz de fazer com que ambos sigam seus caminhos sem olhar para o retrovisor com dúvidas. Jogar limpo faz com que, de repente, haja a tomada de decisão de mudar o lado da curva e tentar prosseguir juntos - ou simplesmente haja a compreensão sem arrependimentos de que, em algumas vezes, os caminhos se cruzam por tempo determinado. Por mais que tenhamos o volante nas mãos e o poder de guiar as nossas curvas, não temos como andar fora de um caminho. Em cada curva feita, para cada nova estrada que trilhemos, deixamos pelo caminho as marcas de nossos pneus. Mas deixamos também alguns dos passageiros que estavam conosco (ser humano é ser motorista e passageiro ao mesmo tempo) e levamos outros que encontramos no caminho.
Portanto, homens, sejamos sinceros em relação ao nosso caminho, sejamos verdadeiros homens ao assumirmos a responsabilidade de ter o volante nas mãos e deixemos de lado o costume de apenas citar o óbvio - falemos também sobre como vemos o óbvio. Podemos nos surpreender com a visão da passageira ou como a nossa visão é passageira. Quem sabe até retardemos a nossa velocidade ou mudemos a rota para que possamos trilhar um caminho de verdade, realmente acompanhado.
E, mulheres, são usem os sapatos mais apertados que os próprios pés - literalmente(ish), desçam do salto da suposta indiferença e joguem com sinceridade. Se houver reciprocidade, a carona será completa. Se houver desdém, mesmo com o orgulho ferido, as suas pernas estarão fortes o bastante para seguir o seu caminho. Mulher de verdade é aquela que entende que ter um coração que bate não a faz uma mulher fraca (ou retrógrada).
Isto independe do muro que se apresenta nas nossas bifurcações - seja diferença de raça ou credo, seja diferença de idade, aceitação da família, crise de valores ou a distância (que bem se encaixa na analogia proposta). No fim do dia, somos os únicos responsáveis pelo modo como dirigimos pelo caminho e se estaremos sozinhos (ou não).
-----
O propósito desse texto não é julgar ou apontar dedos - ainda mais com a certeza de que nesse caminho já fui tanto culpado como vítima - mas sim trazer à luz uma questão que vem sido discutida em diversas ocasiões, com diversos personagens principais (inclusive este que vos escreve), porém sempre com o mesmo desfecho e posterior epifania. Além disso, o modelo homem dirigindo / mulher passageira foi adotado por ver a história se repetir sempre nesse padrão, não por adotar uma postura patriarcal.
.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Last steps - Dias 17 até 21
Dicas
- Os últimos vôos do dia geralmente acabam saindo com algumas poltronas vazias, ou seja, mais chance de conforto para os viajantes de classe econômica.
- O serviço de Supershuttle de ida e volta dos aeroportos em NY é muito bom - você pode inclusive deixar tudo reservado pelo site.
------
Em breve, colocarei as fotos no Facebook/Orkut. E assim, encerro o relato da viagem e desativo o modo Doug Funny.
De volta à programação normal.
Até mais ler.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Outletting / American Way - Dias 15 e 16
Dia 15 - Outletting - 03/Outubro
Acordamos tarde, acho que a correria dos dois últimos dias nos cansou bastante. Ficamos no hotel até 13h e almoçamos um prato que compramos no Wal Mart. Depois fomos ao Premium Outlet, fica perto do hotel, uns 10 minutos de carro. Chegamos lá e o local estava lotado - fora que o calor estava absurdo (acho que todas as previsões de tempo que a gente viu aqui nos EUA estava erradas). São muitas lojas e realmente tem MUITAS coisas pra se ver e comprar - mas como somos XY, não tem como ficar muito tempo em um lugar desses (principalmente porque não tem lojas de eletrónicos ou algo assim). Acho que as melhores lojas que eu vi são as da Adidas, Hugo Boss, Tommy Hilfiger, Levi's (sem dúvida) e algumas outras que eu não lembro. Se for visitar o site, tome cuidado que as lojas listadas lá são todas as lojas de todas as unidades - não quer dizer que vai ter na filial de Orlando.
Voltamos e passamos na Comp USA para ver uns apetrechos de computador pro Flávio e depois passamos no hotel antes de jantar. Aproveitamos que estava calor e resolvemos dar um pulo na piscina.
Fomos jantar novamente no IHOP - que se tornou um dos nossos restaurantes favoritos (comida boa, bebida refil, preço baixo e bom ambiente e atendimento). O único ponto "negativo" é que temos que atravessar a rua pra chegarmos lá. Ok, exageros à parte, depois do jantar voltamos pro hotel e aproveitei pra arrumar umas coisas já que temos só mais dois dias aqui.
Decidimos ir amanhã a tarde no Outlet Prime e depois pegar um cinema. Mas os planos estão sujeitos à mudanças.
Dicas - Dia 15
- Se você tem problemas com muita variedade, o ideal é ter uma lista do que irá comprar antes de ir nesses outlets
- Os pratos prontos resfriados são muito saborosos - não tem aquele gosto de isopor.
- Se quiser comer muito bem (porções generosas) e gastar cerca de 10-15 dólares, a sugestão é o IHOP.
- Se for comprar uma mala barata só pra levar coisas pra casa, você pode comprar em algumas lojas que tem na Intl Drive.
Dia 16 - American Way - 04/Outubro
Acordamos um pouco mais cedo, mas resolvemos estender o período de descanso no hotel. Almoçamos um outro prato pronto do Wal Mart e saímos para ir ao Outlet Prime. Achei muito melhor que o Premium, as lojas eram melhores, tinha mais variedade e opções, fora que também tinham muitos brasileiros - e isso sempre ajuda um pouco na hora de conseguir descontos. Na volta vimos diversas lojas no caminho da Intl Drive que queremos visitar amanhã.
Dicas - Dia 16
- Subindo a Intl Drive, você irá achar diversas lojas com vários produtos diferentes - algumas, inclusive, com atendimento em português e benefícios para os nativos da terra tupiniquim.